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A bela São Felix do Paraguassu

Um rio separa dois municípios de grande importância para a história da Bahia. Uma ponte os une. Assim é Cachoeira e São Félix.
O rio Paraguassu e Cachoeira, vistos de São Félix. Foto: Luiz Antonio Doria




A Cidade Heróica fica a 120 km de Salvador e a cidade vizinha fica dez quilômetros a menos da primeira. O rio que os separa nasce no município de Barra do Estiva, na Chapada Diamantina, e em seus seiscentos quilômetros de extensão serve como um marco divisor para várias cidades baianas como Itaetê, Boa Vista do Tupim, Marcionílio Souza, Itaberaba, Iaçu, Rafael Jambeiro, Santa Teresinha, Antônio Cardoso onde, já no lago da barragem de Pedra do Cavalo, recebe o rio Jacuípe. Continuamos em Castro Alves, Santo Estevão, Cruz das Almas, Governador Mangabeira, Cabaceiras do Paraguaçu, Conceição da Feira, Muritiba, São Félix (Bahia), e as cidades de Cachoeira e Maragogipe desembocando na Baía de Todos os Santos entre os municípios de Maragogipe e Saubara.

O rio foi descoberto por Cristóvão Jacques no ano de 1501, quando o Sítio de Aporá – primeira denominação de São Félix – já existia. O nome se deve a existência de uma sesmaria de mesmo nome quando no século XII passou a ser chamada de São Félix de Cantalício.


Por volta de 1534 o aldeamento possuía cerca de vinte palhoças, onde índios Tupinambás residiam. Os portugueses aqui chegaram com o intuito de explorar a terra e seus insumos, forçar os índios ao trabalho escravo na plantação de cana-de-açucar, construção de engenhos e alambiques.



Mas isso só se tornou possível anos depois, em 1615, com a chegada de escravos vindos do continente africano. Nove anos depois, jesuítas – que marcaram presença em Belém, distrito da Cachoeira – já moravam em São Félix onde fundaram um colégio, um convento e uma santa casa para atendimento de doentes.

Nesse mesmo período, no século XVI, a Bahia sofreu com a ocupação holandesa. São Félix foi saqueada pelas hordas de Johan Van Dorth, que roubaram lares e templos. A Igreja de São Pedro Velho e a Casa de Misericórdia no alto de São Félix, foram destroçadas e roubadas em todas as suas alfaias.

No ano de 1822, São Félix – juntamente com Cachoeira – cumpriu seu dever na defesa do Brasil por meio das lutas travadas pela independência baiana. O povoado se transformou numa grande praça de guerra, onde partiram canoas com sanfelixtas contra os lusitanos. Muitos foram destruídas no Rio Paraguassu, mas outras tiveram sucesso em sua brava missão.

A cidade também teve seu papel fundamental no Movimento Federalista Popular, onde o Juiz de Paz Bernardo Guanaes Mineiro, bateu o martelo em prol da autonomia administrativa das províncias brasileiras no ano de 1832. Sim, foi em São Félix que começou o levante para o Federalismo. Os simpatizantes da causa se reuniram na Praça do Progresso, hoje Praça Inácio Tosta, no dia 19 de fevereiro do mesmo ano e atravessaram o rio Paraguaçu,onde invadiram o Convento do Carmo, estabelecendo-se em Cachoeira. Após se reunirem na Câmara, proclamaram a criação da Federação da Bahia.

Assim como todo o Vale do Paraguassu, São Félix era parte da freguesia de N.Sra do Rosáro do Porto da Cachoeira, consolidada no fim do século XII. Mas somente em 1830 a área atual do município passou a pertencer a jurisdição da Freguesia de N. Sra . do Desterro de Outeiro Redondo.



O povoado que prosperava com um comércio bem desenvolvido passou a ser uma freguesia em 1857 com a denominação de Senhor Deus Menino e São Félix, por força do decreto do presidente da Província, João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu.

Mercado Municipal


Mercado Municipal


Três anos depois, iniciaram-se os trabalhos de calçamento das vias sanfelixtas por meio de resolução da Câmara de Cachoeira. São Félix era o último ponto navegável do rio Paraguassu, facilitando a circulação de mercadorias e possibilitando o trânsito às regiões de exploração das lavras de diamante e da lavoura de algodão do sudoeste da província.

Mas a cidade queria mais: A autonomia administrava que uma cidade poderia desfrutar! Antes disso vamos falar sobre um pequeno problema que Cachoeira tinha.




No ano de 1876, Cachoeira recebia uma estação de trem da Estrada de Ferro Central da Bahia. Mas não havia uma ponte para cruzar o rio para a ferrovia. Em 1881, São Félix receberia também uma estação e apesar de ser tombada pelo Instituto de Preservação Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, está abandonada. Assim como a vizinha Cachoeira. Mas estão de pé, para contar a história das duas cidades.



Com o aumento da movimentação e as balsas não dando conta da demanda foi inaugurada uma ponte no ano de 1885 com a presença ilustre de Pedro II e esta então foi batizada como “Imperial Ponte Dom Pedro II”.

Com todo esse desenvolvimento e progresso faltava somente a emancipação administrativa do distrito. Para isso, os emancipacionistas convenceram o industrial Geraldo Dannemann a conversar com o governador da Bahia na época, o Sr. Manoel Vitorino, em 1889.

Dannemann nasceu na Alemanha em 23 de abril de 1851 desde pequeno vivia com atividades ligadas ao tabaco e a charutos. Veio ao Brasil em 1872 e no ano seguinte abriu uma empresa na Vila de São Félix com apenas seis funcionários. A história de Dannemann e sua companhia se coaduna com a da cidade.




O governador recebeu a visita do industrial e este o convidou a visitar a próspera vila. E Manoel Vitorino foi e parece que gostou do que viu, pois em 20 de dezembro de 1889, São Felix foi elevado a categoria de Freguesia. Em 13 de janeiro de 1890 foi criada a Câmara Municipal e em primeiro de fevereiro de 1890, o ideal emancipacionista se concretizou: São Félix se tornava Vila e seu primeiro intendente foi indicado: O industrial Geraldo Dannemann.



Quanto a sua empresa, a Dannemann chegou a ter no ano de 1910 quatro mil empregados. Mas as duas guerras mundiais que assolaram a Europa causaram problemas para a empresa, que pediu as contas. No ano de 1922, o industrial faleceu mas o seu nome permanece na história da cidade e por meio de uma empresa suiça que adquiriu os direitos de uso do nome do primeiro prefeito de São Félix. Os charutos Dannemann são um sinal de tradição, respeito e qualidade em todo o mundo e parte desses são produzidos aqui de forma artesanal no Centro Cultural Dannemann.

A dica do Viajante para quem deseja aproveitar a cidade é a Pousada Paraguassu. Mas há outras pousadas na cidade vizinha, Cachoeira. Aliás, estando em São Félix, visite a cidade Heróica e Monumento Nacional.

Como Chegar


Vindo de Salvador: Siga pela BR-324 até o acesso/entroncamento a BR-420 na altura de São Sebastião do Passé. Deste ponto, siga pela BR-420 cruzando Santo Amaro e o centro da cidade de Cachoeira e depois de cruzar a Ponte Dom Pedro II, bem-vindo a São Felix.

Para quem vem de Feira de Santana, a dica é seguir pela BA-502 passando por São Gonçalo dos Campos e Conceição de Feira até o distrito de Belém de Cachoeira e a BR-420. Daí é seguir até Cachoeira e cruzar a ponte.

Para quem vem do Rio, a opção é seguir pela BR-116(Rio-Bahia) até Feira de Santana e seguir pela BA-502 e em seguida BR-420. Para quem vem de São Paulo, Via Dutra + BR-116 e seguir os passos de quem vem de Feira.

Não há linhas de ônibus saindo do Rio ou São Paulo. A Viação Jauá e a Empresa de Ônibus Santana São Paulo atendem a cidade por meio de linhas que atendem as cidades de Feira de Santana, Itaberaba, Maragojipe, Muritiba, Salvador, Santo Antonio de Jesus e Santo Amaro.

Maiores informações, acesse o site da Viação Jauá e o da Santana São Paulo.


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