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Recantos do Rio: O Cais da Imperatriz


Estamos na Praça Jornal do Comércio, hoje rodeada por avenidas de grande importância e estabelecimentos que compõem o atual espaço urbano carioca como o antigo Hotel Barão de Tefé. Mas ela escondia um tesouro histórico, fruto de sucessivos aterramentos que deram a cidade do Rio uma nova configuração urbanística: O Cais do Valongo ou da Imperatriz.

Mas para saber como ele surgiu e por que ele é da Imperatriz vamos considerar um período triste de nossa história, o comércio de escravos.
Acervo Wikipedia
Desde o ano de 1565, ano em que a cidade foi fundada, o Rio de Janeiro recebia nesta praça negros escravos que seriam a pedra fundamental da população dos bairros da Zona Portuária do município. Eles eram “recepcionados” na Rua Direita, atual Primeiro de Março, onde desembarcavam e eram comercializados. Em 1779, o Vice-Rei, o Marquês de Lavradio solicitou a retirada desse tipo de comércio da Rua Direita e em 1811 foi construído pela Intendência Geral de Polícia da Corte da Cidade do Rio de Janeiro o Cais do Valongo.

Com essa nova edificação, o desembarque e o comércio de escravos cresceu. Tanto que o Cais recebeu mais de 500 mil africanos. Mas em 03 de setembro de 1843, um acontecimento mudou a história do cais: A chegada de Teresa Cristina, a escolhida para ser a mais nova Imperatriz do Brasil.

A Princesa das Duas Sicílias, Teresa Cristina Maria de Bourbon, casou-se com Pedro II em 30 de maio de 1843 por meio de uma procuração e em primeiro de julho do mesmo ano, na capela palatina do Palácio Chiaramonti, sua mão foi entregue ao Imperador do Brasil na pessoa do embaixador brasileiro, José Alexandre Carneiro Leão, o Visconde de São Salvador de Campos, pelo príncipe de Cila, ministro e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, na qualidade de delegado de Sua Majestade o rei das Duas Sicílias.
Para receber a esposa do imperador Pedro II, foi escolhido o arquiteto francês Grandjean de Montigny. Esculturas de mármore de carrara representando as divindades romanas Minerva, Mercúrio, Ceres (foto acima) e Marte foram postas no cais, além de obras de embelezamento e decoração do mesmo. O nome do Cais mudou de Valongo para Imperatriz.




Cem anos depois de sua fundação, o cais foi aterrado devido as reformas urbanísticas que ocorreram na cidade no início do século XX. Mas em 2011, o Cais da Imperatriz foi redescoberto durante as obras de revitalização do “Porto Maravilha”.

Por Luiz Antonio Doria

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