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Macaé: A beleza de suas praias e serras

Por Luiz Antonio Doria (doria@rdvetc.com)

Macaé, como já vimos, era uma região que vivia sob ataques de piratas. Para inibir os ataques que recebiam de índios e mamelucos, a corte espanhola determinou o aldeamento das áreas que pertenciam aos municípios de Macaé e Rio das Ostras. Com o tempo, o aldeamento se transformou em uma das mais promissoras cidades do Estado do Rio, graças a extração e refino do petróleo.

Mas hoje nós vamos deixar o lado metrópole da cidade e conhecer o lado serra e mar de São João de Macaé. Macaé possui em seu litoral muitas praias que são usadas para as mais diversas atividades. Vamos citar algumas delas.

A Praia da Barra de Macaé tem uma extensão aproximada de dois quilômetros a Praia da Barra apresenta constante variação de cores, transparências e temperatura. Mas é desaconselhada para banho. A Praia de São José do Barreto é o prolongamento da Praia da Barra de Macaé. Praia de mar aberto, ela é utilizada para pesca. Seguindo sua orla podemos encontrar mulheres que consertam suas redes de pesca a beira da praia e ainda contam suas aventuras em mar aberto.

Praia Campista. Foto: Luiz Antonio Doria

A Praia Campista é uma praia de mar aberto e agitado é muito utilizada para a pesca. Fica entre a Prainha (Farol) e a Praia dos Cavaleiros. Atualmente o colorido das pipas do kyte surfe e o radicalismo das manobras atraem fotógrafos e turistas.

A Praia do Farol tem uma extensão de apenas 500m de extensão, tem águas mornas, transparentes, e areias grossas, com tonalidade amarelada. Está localizada junto a uma encosta rochosa onde estão as ruínas do velho Farolito. Tartarugas são sempre vistas na praia.

A Praia do Forte tem 180 metros de extensão e está bem próxima ao Forte Marechal Hermes, que foi construído no início do século XX, um dos patrimônios históricos importantes da cidade. Situada entre a Ponta do Forte e a Foz do Rio Macaé.

A Praia da Imbetiba foi o o point da juventude nas décadas de 70 e 80, que se reunia no Bar e Restaurante 860, no Redondo, Varandão,Mocambo, Pub (Antiga casa do João Inglês e Dona Peggy), e no fim da noite, era no Trailler do Demerval que a turma se deliciava com o sanduíche, que marcou toda uma geração: o “Bistrot”.

O Bistrot ficou na saudade, e a praia da Imbetiba hoje é a base do terminal marítimo de apoio as atividades da Petrobrás. A orla vem sendo utilizada pelos praticantes de cooper e esportistas da natação “Academia dos Anormais” (grupo da sociedade que se reúne para manter viva a história da Imbetiba), que todas as manhãs podem ser encontrados por lá.

O Arquipélago de Sant´Anna é Um dos principais santuários ecológicos de Macaé fica a 8km da costa, sendo formada pelas Ilhas do Francês, Sant´Anna, Ilhote Sul e Ilha Ponta das Cavalas, destaca-se o agrupamento de rochedos concentrados próximo à Ilha do Francês. É local de desova da várias espécies de aves marinhas, principalmente gaivotas. Possui duas extensões de praia,com águas transparentes e areias claras.

Limite natural entre os municípios de Macaé e Rio das Ostras, estando a 11,5km do centro da cidade, a Lagoa de Imboassica tem uma estreita faixa de areia a separa do oceano, que em determinada época do ano se juntam num belo espetáculo para os surfistas que aproveitam para a prática do esporte.

Apesar de tranqüila, recebe bons ventos para a prática de kite surfe e de outros esportes náuticos, desde que não tenha motor. A Lagoa é um recanto excelente para caminhadas, passeios de bicicleta, patins e skates. Os quiosques servem variedades da culinária brasileira, mas a pedida é um peixinho frito para apreciar o pôr do sol na Lagoa de Imboassica. A prática para o banho está proibida.

Mas para quem não é de curtir uma praia, Macaé oferece como opção a região serrana. Então, vamos subir a Serra?

Vamos para o Frade? Embarque nessa na linha S23 da Líder. Foto: Rodrigo Silva

A nossa viagem começa no Centro de Macaé embarcando na linha S23 Macaé x Frade, operada pela Viação Líder.

Foto: Rodrigo Silva

Saímos de Macaé pela Rodovia do Petróleo (RJ-168), cruzamos a BR-101, segue pela RJ-168 e depois pela RJ-162, passando por Areia Branca, e depois Bicuda. A RJ-162 é a mesma que liga Rio das Ostras à Rio Dourado, depois ela continua por estrada de terra até Cachoeiros. E pela Rodovia do Petróleo – nome apropriado para esta que corta o território macaense de leste a oeste – conhecemos algumas localidades da região serrana.

Córrego do Ouro, cuja origem se situa na antiga Faz. Vitória e cujo córrego cortava esta. Foto: Rodrigo Silva

Nossa primeira parada é no Córrego do Ouro. A localidade surgiu por meio de um imigrante italiano chamado Pedro Adami que comprou uma fazenda onde hoje é a área urbana do distrito, dividindo a em lotes e doou uma parte destes lotes para a construção de importantes edificações para a recém-criada vila. Córrego do Ouro tem em suas terras o Parque Atalaia.

Seguindo pela estrada, chegamos a Trapiche. Trapiche significa “Armazém onde se guardam mercadorias destinadas a importação ou exportação”.

E no Trapiche da Serra de Macaé as mercadorias e os escravos que vinham da África ficavam – após passar por uma quarentena na Ilha de Santana – antes de serem vendidos. Lembrando que estes fatos ainda não foram totalmente confirmados.

A RJ-162, sem asfalto, rodando para o Frade. Foto: Rodrigo Silva.

Glicério é a próxima parada. O distrito passou por uma questão administrativa: Antes de se chamar Glicério, chamava-se Crubixais. O toponimo, de origem tupi-guarani, faz menção aos  “rios de seixos”  ou “rios de pedras” que existem na região.

O nome surgiu quando a E.F. Central de Macaé pretendia abrir uma estrada de ferro ligando Macaé ao Arraial do Frade. A Estrada foi concluída em 1891, mas não chegou ao seu objetivo e teve o fim de linha em Crubixais. Em 1898, com a ajuda do Gen. Francisco Glicério, a Leopoldina Railway adquiriu a Central de Macaé e a mesma foi dispensada de concluir o trecho até o Frade.

Não se sabe ao certo porque a ferrovia não chegou ao Frade: Se foi por questões políticas ou por questões técnicas. Mas fato é que Glicério teve um incremento no comércio local e chegou a medir forças com o Arraial do Frade, tanto que isso resultou na divisão de território: Uma parte ficou com o Frade e outra, com Glicério.

E chegamos ao Frade!

Praça Atagildo Gonçalves Marinho. Foto: Rodrigo Silva

O Frade nasceu do desmembramento de terras da Freguesia de Nossa Senhora das Neves, ato este consolidado com o Decreto nº 1709, de 30 de outubro de 1872.

Nascia a Freguesia de N.Sra. da Conceição do Frade que depois viria a compor o município das Neves, em 1891, por um curtíssimo período de tempo até que voltaria a pertencer a Macaé em 1892.

Foto: Rodrigo Silva

Por volta dos anos 20, o Frade viveu o seu auge tornando-se o centro comercial da região exportando café e cereais em grande escala fazendo uso da estação de Glicério para este fim. Com a crise do café, nos anos 30, o Frade viu sua economia decair e perder parte do seu território para Glicério.

Réplica do Pico do Frade na Praça Atagildo G. Marinho. Foto: Rodrigo Silva

O distrito só voltaria a melhorar sua saúde financeira com um novo desmembramento ocorrido nos anos 70. Atualmente, o Frade sofreu alguns revéses como a falta do transporte ferroviário.A área vive de algumas fazendas de gado e um comércio que vive de sustentar um distrito residencial. O Pico do Frade, um dos pontos turísticos da região, é o ponto mais alto de Macaé – possui 1429m de altitude –  e delimita a cidade com a vizinha Trajano de Morais.

E do Frade, vamos ao Sana.

"O Sana te aguarda outra vez!". Foto: Luiz Antonio Doria

O Sexto distrito de Macaé, como também é conhecido o Sana, foi criado por meio de uma lei estadual no ano de 1902. Mas, segundo o Portal do Sana, o distrito existe desde 1820 e foi fundado por imigrantes suíços. As terras da localidade foram doadas em sesmarias para algumas famílias que não demoraram em plantar café na região. Curiosamente, o Sana fica próximo de uma localidade muito conhecida de Nova Friburgo, o distrito de Lumiar.

O Rio Sana. Foto: Luiz Antonio Doria

Aliás, cabe destacar que o nome “Sana” é corruptela do nome “Saane” em alemão ou “Sanam” em Latin, ou Sarine em francês (Rio que corta o Canyon de Fribourg na Suíça e se lança no rio Arr na Suíça). Atualmente o Sana é point de quem gosta de curtir a natureza e foi – e ainda é – point dos hippies na década de 70.

APA Peito do Pombo. Foto: Luiz Antonio Doria

Mas até chegar ao status de um dos mais belos cartões postais do estado, o distrito passou por algumas mudanças que foram essenciais para isso : A eletricidade só chegou ao Sana no ano de 1985 e quem visitava a bela Casimiro de Abreu aproveitava para visitar o distrito macaense. Isso proporcionou ao comércio de produtos artesanais se estabelecer no local.

No ano de 1987, as prefeituras de Macaé e Casimiro de Abreu construíram uma ponte para que veículos de passeio. Em 1990, a Telerj instalou dois orelhões no distrito sendo que um ficava na Praça da Matriz e outro na subida da serra. A área que compreende o Sana é uma Área de Preservação Ambiental criado pelo poder público municipal.

O pico do Peito do Pombo tem  1.400 metros de altitude. O número de pessoas que desejam ter acesso a ele é controlado e a caminhada leva de três a quatro horas em meio à Mata Atlântica. Porém, a caminhada compensa, pois do alto é possível avistar uma parte do litoral norte fluminense nos dias bons.

Como chegar

Vindo do Rio: Após cruzar a ponte Rio – Niterói, você pode optar em seguir pela Niterói – Manilha e pela BR 101 Norte até o trevo de acesso a cidade ou vir pela Alameda Boaventura, seguindo pela RJ-104 até o trevo de acesso a RJ-106 em Tribobó e seguir por esta passando pela Região dos Lagos e Baixada Litorânea até a cidade de Macaé.

Vindo de São Paulo: Rodovia Presidente Dutra – Linha Vermelha – Ponte Rio x Niterói e mesma opção de quem vem pelo Rio.

Vindo de Vitória: BR-101 Norte até o acesso a Macaé.

Ônibus

Há várias linhas vindas de várias cidades  do Rio para Macaé.

Auto Viação 1001. Foto: Rodrigo Silva

A Auto Viação 1001 disponibiliza horários saindo do Rio, Nova Iguaçu, Dq. de Caxias, Campos dos Goytacazes, Niterói, Região dos Lagos, Norte e Noroeste Fluminense.

Macabu. Foto: Rodrigo Silva

A Transportadora Macabu tem horários saindo de Conceição de Macabu e Trajano de Morais.

Parece uma certa empresa de Caxias, mas não é! É a São Cristóvão. Foto: Rodrigo Silva

De Quissamã, Carapebus e Farol de São Tomé, a São Cristovão tem horários para Macaé. A Itapemirim tem linhas saindo de Vitória, São Paulo e Aracaju para Macaé.

Itapemirim tem horários para São Paulo, vindos de Campos. Foto: Luiz Antonio Doria

A Útil tem horários saindo de Belo Horizonte e a Águia Branca tem saídas de Salvador, Itabuna, São Mateus (ES) e Santo Antonio de Jesus.

Abraço e tudo de bom. Até a próxima viagem!



1 Comentário para “Macaé: A beleza de suas praias e serras”

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