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Recantos do Rio: A Praça do Comércio de Grandjean de Montigny

Já relatamos que devido ao pagamento de uma promessa dum casal de portugueses, surgiu um dos mais belos monumentos do Rio antigo em meio a "selva de pedra" da Avenida Presidente Vargas: A Igreja de Nossa Senhora da Candelária.

Agora vamos mostrar como surgiu a praça do comércio da Corte Portuguesa e que hoje é a praça da cultura carioca. A Casa França-Brasil e o Centro Cultural Banco do Brasil são verdadeiras obras de arte de um mestre da arquitetura que aqui chegou em 1816: Grandjean de Montigny.

Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny veio ao Brasil junto com outros artistas franceses a convite do governo português na Missão Artística Francesa em 1816. A Missão tinha como objetivo a formação de novos artistas e a execução de grandes projetos dentro do estilo neoclássico. E dentre esses projetos estavam esses dois grandes monumentos da arquitetura neoclássica brasileira.

Primeiramente, vamos falar da Casa França-Brasil.

A Alfândega Cultural do Rio de Janeiro


A Casa França-Brasil foi projetada por Montigny em 1819 e tinha como objetivo sediar a primeira praça do Comércio do Rio.

O prédio serviu para esta finalidade por apenas dois anos e presenciou um lamentável atentado contra a democracia: Em abril de 1821, as tropas do Príncipe Regente Dom Pedro invadiram o local para dispersar manifestantes favoráveis a permanência da corte portuguesa no país. Tal episódio ficou conhecido como "O Açougue dos Bragança".

O prédio foi fechado, reformado e reaberto em 1824 como Alfândega. Em 1944, novamente a casa teve as suas portas fechadas, pois a alfândega foi transferida e a mesma foi reaberta sete anos depois para abrigar as instalações do II Tribunal do Júri. Em 1978, novamente as portas se fecharam.

Depois de doze anos, a casa foi reaberta para se tornar um centro cultural dedicado ao intercâmbio cultural entre brasileiros e franceses...nascia então a Casa França-Brasil, onde o traçado de Montigny se mantém intacto. Tanto por fora como por dentro.

O chão é revestido por grandes blocos de pedra e tapetes de ladrilhos belgas.


Há de se destacar também um grande espaço em forma de cruz e coroado por uma cúpula. Mas outra grande obra de Montigny foi projetada por um de seus discípulos. Vamos a ele?

Em 1880, Francisco Joaquim Bethencourt inicia os trabalhos de execução da construção de um edifício para sediar a Praça do Comércio - algo semelhante a uma Bolsa de Valores. Este foi concluído no ano de 1906. Mas a Associação Comercial do Rio de Janeiro transferiu a propriedade deste ao Banco do Brasil no ano de 1923, pois a instituição se encontrava endividada.

Para instalar a sua diretoria, o BB fez um acréscimo de quatro pavimentos e depois de vinte e sete anos funcionando como agência bancária, o prédio foi transformado em Centro Cultural em 1989. E apesar das reformas, as características originais e sua grandiosidade foram conservadas.

Podemos afirmar que a Missão Artística Francesa, capitaneada por Montigny, deixou marcas na arquitetura e na paisagem da Cidade Maravilhosa.

Grande abraço e tudo de bom.



Texto e fotos: Luiz Antonio Doria
Fonte pesquisa: Wikipédia e Guia de Roteiros do Rio Antigo;
Seara, Berenice; 2ª Ed.; InfoGlobo Comunicações Ltda, páginas 98-102

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