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Alberto Torres, o itaboraiense de Areal

No caminho para Três Rios passamos um pedacinho de paraíso, onde a tranquilidade reina absoluta e o passado ferroviário fluminense descansa a espera de um dia voltar a ativa.

Estamos em Areal, cidade localizada a 98 km da capital fluminense, 89 km de Juiz de Fora e a 422 Km de Belo Horizonte. Vamos conhecer em Areal o belo distrito de Alberto Torres. Mas você sabe quem foi Alberto Torres?

O Expoente do pensamento ruralista brasileiro

Retrato de Alberto Torres, por Modesto Brocos
Alberto Torres nasceu em Itaboraí no ano de 1865 e faleceu no ano de 1917, na cidade do Rio de Janeiro. Foi Presidente do Estado do Rio de Janeiro entre os anos de 1897 e 1900 - seu pai, Manuel Torres, foi vice-presidente durante a gestão de José Porciúncula na administração estadual - deputado estadual , ministro da Justiça e Negócios Interiores e ministro do STF.

Mas ele se destacou por defender o fortalecimento do executivo e conceber o Brasil como um país essencialmente agrícola, se opondo a influências de cunho industrial. Entre suas obras mais conhecidas são "A Organização Nacional"(1914) e "Problema Nacional Brasileiro"(1911/1912).

A Cidade

A história de Areal está conjuntamente junta com a história de Três Rios e Paraíba do Sul. Mas vamos relatar de forma resumida.

Em 1891, era criado a Freguesia de Areal - o nome tem origem numa praia de areia que existia onde hoje está instalada a Igreja Matriz da cidade - subordinada ao município de Paraiba do Sul. Em seguida, de acordo com a divisão administrativa de 1911, Areal passava a ser um distrito sob a jurisdição de Paraíba do Sul.

Em 1938, a mudança de ares: O distrito foi transferido para o recém-criado município de Entre Rios. Entre Rios passava a ser composto pelo distrito-sede e por Areal, Bemposta e Mont Serrat.

Já em 1943, Areal pertencia agora ao Município de Três Rios (novo topônimo de Entre Rios) e finalmente em 1992, Areal passa a andar com as próprias pernas.

Dica do Viajante

A minha dica de onde comer/almoçar/lanchar é a Vovó Celeste, no Centro de Areal.

A boa pedida é degustar de um pão de mel com licor de cassis ou doces e quitutes com aquele clima do interior.

Alberto Torres, a vila


Não se sabe ao certo quando e por que a vila encrustada entre Areal e Três Rios passou a homenagear Alberto Torres, que nasceu a partir da vinda de engenheiros e técnicos vieram para instalar a estaçao geradora da localidade. Mas a ponte que nos leva a ela é uma obra-prima da engenharia.

Sobre ela, Revert Henrique Klumb escreveu em "Doze horas em diligência. Guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Fora"...

A Ponte da União e Indústria, ontem...

...e hoje.

"Eis a ponte de Santana; atravessamos ainda para a outra margem do Piabanha. Esta ponte é enviezada, com grandes vigas e grades, com pavimento inferior e contraventement (peças oblíquas) superior; é a mais bonita de todas as que vimos e ainda veremos; sua arquitetura faz dela um verdadeiro objeto de arte, elegante e leve."
Construída pela Cia. União e Indústria no ano de 1860. Quando a E.F. Leopoldina obteve o controle da E.F. Princípe do Grão-Pará aproveitou o antigo leito da estrada de rodagem para a ferrovia. Esta ponte, por ter uma paralela, não deve ter sido utilizada pela ferrovia.
Talvez seja por isso que exista outra ponte sob o rio Piabanha, esta de propriedade da Estrada de Ferro Leopoldina.

E falando em trens, eis a Estação Ferroviária da localidade.

Inaugurada em 1886, a Estação de Alberto Torres era a segunda estação do outrora distrito de Areal, cidade de Paraíba do Sul.

Ao seu lado, um vagão da R.F.F.S.A (e que já pertenceu a Leopoldina). É o que sobrou do patrimônio ferroviário brasileiro neste pedaço de chão.

A estação foi desativada em 5 de dezembro de 1964 - período negro para a Companhia, que após a Segunda Guerra Mundial não conseguiu se reerguer após o declínio da lavoura cafeeira e foi encampada pela Rede Ferrroviária Federal - e o ramal a qual pertencia foi extinto. Atualmente, o belo conjunto arquitetônico da mesma serve como biblioteca, conforme placa afixada.

E não é só o conjunto arquitetônico da estação e de suas pontes que impressiona: A Igreja também chama a atenção de quem passa.

Mas apesar dessa imponência toda, ela não é a original. Esta foi erguida no local onde existia a antiga capela do cemitério da Fazenda São Silvestre, de propriedade do Sargento-Mor José Vieira Afonso. E onde hoje se encontra a "Rio-Bahia" eram as terras desta fazenda.

A energia que emana de Alberto Torres

A energia que emana de Alberto Torres começou a ser construída no ano de 1905 numa faixa de terra nas duas margens do rio Piabanha, incluindo as quedas d'agua. No ano seguinte, o governo fluminense autorizava a Guinle a construir uma usina no local.

Em 1908, houve a cerimonia de inauguração.Em 1909, a Guinle e Cia. era sucedida pela Companhia Brasileira de Energia Electrica. A príncipio, esta atendia a concessão de energia elétrica no Estado do Rio de Janeiro e depois obteve a concessão de energia eletríca no estado de São Paulo e de serviço telefônico no estado da Bahia.

No estado do Rio, mais precisamente em Alberto Torres a Cia. Brasileira de Energia Electrica aproveitava as quedas do Rio Piabanha para a geração de energia e distribuição desta para as cidades de Petrópolis, Magé e Niterói. Atualmente, o complexo de Alberto Torres encontra-se sob a tutela da Ampla.

Como Chegar

Vindo do Rio de Janeiro: Seguir pela Rodovia Washigton Luiz (BR-040) e adentrando pela ponte da Companhia União e Indústria.

Vindo de Belo Horizonte: Seguir pela BR-040 até a entrada da vila (Ponte da União e Indústria).

Linhas de Ônibus

A Única passa em frente a localidade na linha Petrópolis x Juiz de Fora, que possui a seção Areal x Juiz de Fora.

A Viação Progresso tem seção em Alberto Torres para a cidade de Três Rios na linha P 210, que liga o distrito de Posse (em Petrópolis) a Três Rios passando pelo Centro de Areal.

Grande abraço e obrigado pela sua visita!




Texto: Luiz Antonio Doria, com assessoria de Jorge A. Ferreira Jr.
Fotos: Jorge A. Ferreira Jr.
Foto de Alberto Torres extraída do site "Museus do Estado do Rio de Janeiro"
Fonte Pesquisa: Biblioteca IBGE, FGV e Caminho Novo-RJ

Um comentário:

  1. Gostei muito dos realatos. Vivi os belos anos de minha vida trasitando por essa bela vila. Parabéns!!!

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