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O Caminho para Barra do Pirahy

No feriado do dia sete de setembro, o RdV foi desbravar as terras onde o Rio Piraí se lança no Rio Paraíba do Sul. Pois "Barra", em termos geográficos, é um lugar onde um rio se lança em outro.

Mas para chegar lá, percorremos caminhos distintos...

...enquanto eu saí de Vilar dos Teles a bordo do RJ 128.083 - um Svelto OF 1722M e que era efetivo da 716L (Cosmorama x Cascadura) - para Nova Iguaçu, o Andarilho Silva encarou a Ponte num 533D da vida.

Nesta primeira parte, vamos descrever como o RdV chegou a Paracambi - ponto de partida de nosso objetivo.

De Vilar à Paracamby

Como já disse, a minha rota até a Barra do Rio Piraí começou num Svelto da Flores até o município de Nova Iguaçu.
De Nova Iguaçu, embarquei num trem para a pacata Japeri. Aliás, um recado para os moradores da Baixada Fluminense: Quer ir conhecer as belezas do Centro-Sul Fluminense? Vá de trem até Paracambi!

É rápido e menos estressante do que ir a Rodoviária Novo Rio. De Paracambi, você pode escolher entre ir para Barra do Piraí ou Vassouras.

Saindo de Nova Iguaçu (pois Maxambomba era o nome da cidade de Iguaçu, que já tinha uma estação da E.F. Rio D´ouro e que foi extinta em 1970. Valeu Ralph!) seguimos para Japeri, de onde faríamos a integração para um trem que seguiria desta para a tranquila Paracambi.

No caminho, uma das paradas: Austin. Antes dela, vem a estação de Comendador Soares.

A Estação de Austin foi inaugurada no ano de 1896 (seis anos antes, era inaugurada a Estação de Comendador Soares) e por ela passava a Estrada Real que, segundo o site Estações Ferroviárias, trazia gado vindo até mesmo do nordeste passando por terras mineiras. Comendador Soares, por sua vez foi inaugurada sob o nome de Morro Agudo (Não é a toa que os ônibus da Vila Rica ostentam esse nome em suas linhas. Só após 1930 é que veio a ter o nome original, que homengeia...

Comendador Francisco José Soares. Oléo sobre tela, Rocha Fragoso, 1871.

...Francisco José Soares, o Comendador Soares (1798 - 1873). Entre seus maiores feitos foi a fundação da Câmara Municipal de Vereadores de Nova Iguaçu e permitir que em suas terras - a Fazenda Morro Agudo - passasse os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil.

Enquanto isso...

...Silva, o Rodrigo, descia nas proximidades da Rodrigues Alves...

...para encarar a "novidade" do momento: Os Torinos "royalclasses" da Blanco!

Para quem já estava acostumado com as sucatas azuis de outrora, nosso andarilho se viu mergulhado num universo de conforto e de direção suave rumo à estrada dos queimados.

Mas... bandalha à vista: enquanto o Viale da 533D já não tinha posto de cobrador (alô, Detro!), o simpático Torino sobre 17-230EOD tinha um funcionário específico para cobrar as passagens, mas sob o capô já repousava um caixa. À espera do quê?


E de Queimados, pelos trilhos da Supervia para Belém...

...ou melhor dizendo, a briosa Japeri nos esperava.


No caminho para lá, temos a estação de Raul Pedreira. Ou melhor dizendo, Eng. Pedreira. E depois um longo caminho com belas paisagens (e outras nem tantas) acompanhadas dos trilhos originais da Estrada de Ferro Central do Brasil.

Entre paradas - "esta composição está aguardando sinalização para prosseguir viagem" - e reínicios de viagem seguimos até Japeri, de onde seguimos para a conexão Japeri x Paracambi (E olha que nem pensei na hipótese de ver esse trem naquele dia).

E já no início da viagem, vemos o movimento de máquinas e homens trabalhando: Seria duplicação da via férrea/rodoviária?

Pelo que parece e em pesquisas pela grande rede, tudo indica que em breve o Trem de Barrinha (que operava entre os municípios de Japeri e Barra do Piraí) deve voltar e que tudo depende de uma autorizacão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Isso lá em 2006...

De Japeri a Paracambi, são duas paradas que na prática se torna uma: A de Lages, mas...

...não é que na nossa viagem, a gente pára na Estação Dr. Eiras? A parada é de apenas uns cinco a quinze segundos, pois ninguém desceu...ninguém embarcou!

A Estação foi a última que foi inaugurada (1964) e homenageia o Dr. Manoel Eiras (1828 - 1889), que se destacou pela assistência a doentes mentais no estado do Rio de Janeiro.

Coincidentemente, em Paracambi, há um Instituto com o nome deste fundado na década de 60 e que se dedica ao tratamento de doentes mentais.

Supervia (E o RdV) anunciam...

...A próxima parada...

...Lages! Inaugurada em 1858, permaneceu como fim de linha do ramal até 1861, quando surgiu a estação de Tairetá.

E pensar que por aqui passaram os trens da E.F. Light em direção a represa de Ribeirão das Lajes.

E moradias e uma triste realidade contrastam com a paisagem local até o nosso destino final.

Paracambi! E a sua histórica estação ferroviária observa a tudo e a todos, recordando os seus dias de Tairetá...

...em que no ano de 1935, o povo de Belém (Japeri) e Paracamby (isso mesmo! Paracambi era com "y") prestou homenagem ao pioneiro da eletrificação da Estrada de Ferro Central do Brasil, o Cel. João Mendonça Lima (e que posteriormente veio a assumir a pasta da Viação e Obras Públicas no lugar de Marques dos Reis).

E no ano de 1987 - a pedido dos paracambienses - o governo federal havia determinado que Paracambi voltasse a receber os trens que saíssem da estação Dom Pedro II (mais conhecida como Central do Brasil). Mas, hoje em dia...

...isso apenas é história que ficou estampado numa placa de bronze. Atualmente a Supervia dispõe horários saindo de Paracambi para a vizinha Japeri para quem deseja trafegar pelos ramais Japeri, Santa Cruz, Deodoro Parador, Saracuruna e Belford Roxo.



Damos "tchau" para a Supervia...

...e já nos preparamos para a segunda parte de nossa rota.

A "Barrinha" nos esperava rumo a Barra do Piraí. A dúvida era: Qual rumo escolher? Via Ipiranga ou Via Morsing? É o que vocês verão na segunda parte de "O Caminho para a Barra do Pirahy: De Paracamby a Barra do Pirahy".

Grande abraço e até lá!

Texto e Fotos: Luiz Antonio Doria e Rodrigo Silva
Fonte Pesquisa: Estações Ferroviárias.com.br, Psicologia no Brasil e FGV

4 comentários:

  1. Já fiz esse passeio de trem de Caxias até Paracambi, via Central e Japeri... Viagem longa, mas vale muito a pena (até por ser barata.. rs). Paracambi é uma cidadezinha super agradável, tal como Eng. Paulo de Frontin, que eu também conheci.

    Parabéns!

    E, por sinal, acho que vou te contactar via orkut... Tenho material interessante para o blog!

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  2. Caros amigos.
    Quero de coração parabenizar a voces , pelas belas matérias e relatos que fazem.
    Sempre espero com muita ansiedade por uma nova postagem, como é bom poder ver belas imagens de lugares que um dia nunca pensei em poder ver , e através de voces, enriqueço muito o meu imaginário através das imagens.
    Como é bom ter voces nesse nosso meio , para mim voces são verdadeiros historiadores.
    Parabens amigos.
    Abraços,
    LEONARDO DOS SANTOS
    http://fotolog.terra.com.br/onibusdiversos1
    http://onibusdiversos.blogspot.com

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  3. Doria, v. na verdade não deixou Maxambomba. Deixou Nova Iguaçu, que sempre se chamou assim. Maxambomba era o nome da cidade de Iguaçu, que, por não ter estação, a estação de Maxambomba ficava onde ainda não existia Nova Iguaçu, decaiu tanto que a sede do município passou para onde estava a estação com o nome de Nova Iguaçu. Por outro lado, Iguaçu ganhou sim uma estação em 1885, da E. F. Rio de Ouro, mas já era tarde demais. Essa estação foi extinta em 1970. Abraços

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  4. Grande Ralph,

    Obrigado pela correção e pela aula de história.

    No caso, era a chamada "Iguaçu Velha". Situação semelhante é a de Magé, que surgiu da decadência da Vila da Estrela.

    Obrigado pela sua visita.

    Abraço e tudo de bom!

    LUIZ ANTONIO DORIA
    RdV Etc.

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