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Recantos do Rio: Candelária, a Igreja

Localizada hoje em dia praticamente no cruzamento das duas mais importantes avenidas da capital – Av. Rio Branco e Av. Pres. Vargas - no coração do centro financeiro da cidade, a Igreja de N. S. da Candelária, ou simplesmente Igreja da Candelária, tem uma história rica em detalhes pouco conhecidos da população em geral.


Reza a lenda que pelos idos do Século XVII, um casal de espanhóis a bordo de uma embarcação chamada Candelária enfrentava grande tormenta em alto mar, e sem recursos e esperanças de saírem vivos de tamanha intempérie invocaram ajuda a N.S. de Candelária, prometendo erguer uma capela em sua homenagem caso conseguissem aportar em lugar seguro.
Eis que esse casal aporta na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro por volta de 1610, e para cumprir a promessa feita antes, ergue uma capela, na época à beira mar.

Não há comprovação dessa história, mas sabe-se que em 1635 uma capela dedicada à N. S. da Candelária já existia onde hoje se encontra a Igreja de N. S. da Candelária.


No começo do Século XVIII, já com um século de existência, essa capela original passa por uma reforma, mas em 1755, com a necessidade de se construir uma igreja de maior porte, foi demolida para a construção, em seu lugar, da igreja que hoje conhecemos.

Tal construção, com planta inspirada no estilo barroco português, teve início em 1775 e foi inaugurada, inacabada, em 1811, com a presença de Sua Majestade O Príncipe Regente D. João VI, futuro Rei de Portugal.

Devido à mudanças em seu projeto ao longo das obras e ao próprio tamanho da mesma, a construção da igreja atravessou todo o século XIX, tendo seus acabamentos internos sido concluídos apenas em 1877. E somente em 1901, finalmente sua construção se dá por completa com a instalação das majestosas portas principais com trabalhos em bronze.

A Igreja da Candelária, pela quantidade de artistas que trabalhou nas diversas etapas de sua construção se tornou um dos principais monumentos artístico-arquitetônico do Século XIX.
Apesar de toda sua monumentalidade e beleza, a Igreja da Candelária, com o passar dos anos, ficou pouco visível na paisagem da cidade, imprensada numa região maciçamente adensada de edifícios.


Até mesmo do alto, sua cúpula era a única referência que se avistava de longe. Porém, nos anos 1940, uma grande e polêmica obra, verdadeira cirurgia urbana – a abertura da Av. Pres. Vargas – mudaria em muito essa situação, com a demolição do quarteirão entre a Rua General Câmara e a Rua de São Pedro, desde a Rua da Quitanda até a Praça da República.



Foto no. 06: Vista da Av. Pres. Vargas em direção à Igreja da Candelária. Aproximadamente 1950.

Criara-se, então, uma das mais belas perspectivas na paisagem da cidade.


Porém, todas essas mudanças aconteceram em relação à fachada posterior da Igreja da Candelária, já que sua fachada principal é voltada para as águas da Baía de Guanabara.

Alguns anos mais tarde, no fim dos anos 1950, outra nova e polêmica intervenção urbana abriria ainda mais a paisagem em volta da Igreja da Candelária, com a demolição de antigos armazéns para a construção da Via Elevada Presidente Juscelino Kubitschek, ou simplesmente Elevado da Perimetral.

O 1º. trecho dessa via, que começava no Aeroporto Santos Dummont, desembocava justamente na Pça. Pio X, em frente à Igreja da Candelária.


Daí em diante a Igreja da Candelária passou a estar no centro de um grande largo que vai da Av. Rio Branco até o acesso ao Elevado da Perimetral e à Praça 15 de Novembro. Ao longo dos anos, esse grande espaço à sua volta tornou a Igreja da Candelária referência para vários usos e atividades.




Seu entorno já serviu de terminal de linhas urbanas de ônibus, dando origem inclusive a uma tradicional empresa que em parte leva seu nome -Madureira Candelária – coincidentemente ou não, com cores próximas de sua fachada.

Após a abertura política, e mesmo antes, nos anos da ditadura militar, seu entorno também serviu de concentração para as mais diversas manifestações políticas, sendo comuns até os dias de hoje as passeatas que ali começam para terminar na Cinelândia.

Aliás, momento célebre na história da cidade e do país aconteceu a sua volta: o comício da campanha “Diretas Já” reuniu 200.000 pessoas numa passeata que fez o trajeto Candelária - Cinelândia, em 1984.

Um uso que seu entorno teve mas que ao longo dos anos foi sendo reprimido foi o de estacionamento de automóveis particulares.

E um triste uso que o entorno da Igreja da Candelária também teve, e ainda tem, é o de servir de moradia para a população de rua. Não bastasse a triste imagem que essa situação por si só representa, uma tragédia social viria manchar sua história e seu chão com o sangue de oito jovens moradores de rua, brutalmente assassinados por quem deveria protegê-los, policiais militares.

Essa tragédia, que ficou conhecida como “Chacina da Candelária”, aconteceu em 1993 e ficou internacionalmente conhecida.


Mas, aconteça o que acontecer, e independente de polêmicas urbanísticas e tragédias sociais, e ainda que nem sempre a visão que se tenha seja a da fachada principal, a paisagem que a Igreja da Candelária oferece serve para amenizar a agitada rotina que uma cidade como o Rio de Janeiro impõe aos seus habitantes e visitantes!




Abraço, e tudo de bom!

Texto: Marinaldo Jr.
Revisão: Luiz Antonio Doria
Fotos: Luiz Antonio Doria, Acervo Cia de Onibus e fotos extraídas da Internet.

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