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O Lado B da Ferrovia Fluminense: O RAMAL SARACURUNA - GUAPIMIRIM

Em 1890, nascia o projeto de construção da Linha Ferroviária que ligaria Rosário (Hoje Saracuruna, em Duque de Caxias) a Visconde de Itaboraí, projeto este elaborado pela Companhia Leopoldina Railway. Mas só em 1926, ela ficou pronta devido ao monstro que atravanca o progresso em nosso país: A Burocracia.

Em 1908, saía do Porto da Piedade (Que ficava nos fundos da Baía de Guanabara) um trem que seguia rumo a Alto Teresópolis. Era a Linha Magé - Teresópolis. Mais prá frente, o ramal foi estendido até a várzea teresopolitana.

No ano de 1940, o trecho entre Porto da Piedade e Magé foi extinto e trem para Teresópolis, passaram a sair...

...da estação Barão de Mauá e seguiam pela linha da Leopoldina até Magé (Antes eles eram operados pela E.F. Central do Brasil) para entrar no trajeto original.

No ano de 1956, já não havia mais trens saindo de Guapimirim a Teresópolis e no trecho Magé x Guapi...
...lá está a CENTRAL - Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística, desde 2003 (Ano em que a FLUMITRENS saiu de cena).

Mas, para chegar lá é só encarar uma longa viagem até a estação SARACURUNA...

...num dos clássicos trens de Série 1000 da Supervia (que levou o "aspira Diego"de São Cristóvão a Saracuruna).

A Estação Saracuruna tem uma história muito interessante: Para passar os trilhos e seguir para Bongaba, a Leopoldina Railway precisou negociar com o dono da Fazenda Rosário, o Sr. Francisco Vieira Neto, que só fez uma exigência: Que na estação ele tivesse o direito de ter um botequim para ele ou parente seu. E o nome Saracuruna?? De onde vêm?

Saracuruna é uma espécie de Saracura-do-Brejo muito encontrada em áreas pantanosas. Vai ver que a Fazenda Rosário era muito visitada por essas simpáticas criaturas!

Olhaí a Locomotiva CENTRAL 2363 já saída do muro e se preparando para se juntar aos vagões, a postos na plataforma.

O exato momento em que a locomotiva engata-se ao vagão U284, o primeiro da composição. Em certos casos, essa foto pode incentivar casais de longa data a começar uma "longa viagem" hehehehe
Estação Saracuruna, plataforma do Ramal Guapimirim (linha à esquerda) / Vila Inhomirim (linha à direita). Logo depois de passar a roleta de acesso para a parte da plataforma correspondente ao embarque Guapi/Vila Inhomirim, entrei no último vagão para fotografar a parte correspondente ao sentido Central do Brasil, operado pela SuperVia.

Eis a Locomotiva da SUPERVIA que opera o ramal da VILA INHOMIRIM, num dos desvios da estação. Mas, hoje vamos falar do Ramal Saracuruna x Guapi. Então, vamos ao trem da viagem!

O Trem da viagem

Locomotiva CENTRAL 2363, a que fez a viagem. Ele é quem vai puxar o "bonde"...
...o primeiro vagão do trem, o vagão U284, em foto externa. Podemos atestar a precariedade dos serviços. Compõem ainda o trem os vagões U265 e U360 (segundo e terceiro, respectivamente).


Como vocês podem ver a lotação do vagão U284, o ramal carrega!!!

Esta é da série "O detalhe é que vale": Dispositivo de emergência do vagão U284 (alguém duvida de que funcione???).

Outro detalhe, referente as portas: As abertas não fecham e as fechadas não abrem!!!!!


Plaqueta no interior do vagão - Reformado por CEIMAQ (Isso porque foi reformado... imagine se não fosse).

E acima, vemos o mapa dos ramais operados pela CENTRAL, constante do interior do vagão. Cá entre nós é muita cara-de-pau da CENTRAL gastar verba para elaborar um mapa dos ramais a la "Supervia" e manter os citados no nível da CBTU. O ramal de Itaboraí se encontra em completo estado de abandono (Para quem gosta de trem, o próximo LADO B não é recomendado).

E depois de 10 minutos de atraso, a Estação Saracuruna começa a se distanciar da minha visão, logo após a partida do trem.

Primeira parte: Saracuruna x EMAQ

Logo depois de sair da estação Saracuruna, a cerca de uns 500m, a primeira da muitas passagens de nível da viagem...


...E a curva indicando o desvio para o Ramal Vila Inhomirim, operado pela SuperVia.

E para animar a longa viagem, um pequeno grupo abençoando a viagem com músicas cristãs. Se tem na Supervia, porque não na CENTRAL?

E uma cena que desperta um pouco de "esperança" em que utiliza o serviço deste ramal.

Homens trabalhando, um pouco depois da curva para Vila Inhomirim. Certamente uma intervenção para não deixar o mato tomar conta dos trilhos.

E aos poucos, a paisagem passa de forma mais rápida!

E o trem vai avançando e ganhando mais velocidade.


Adiante um maciço (Uma seção da crosta terrestre demarcada por falhas), próximo a estação Meia Noite.

E falando nela...


...A primeira parada: Estação Meia-Noite, que no mapa aparece como "PARADA ESTRELA".

E vamos seguindo, pela paisagem que domina este ramal até a...

...a Estação Bongaba, onde o trem não mais realiza paradas por razões óbvias.

Mais uma passagem de nível. PARE! OLHE! ESCUTE...e PARE! Bem, nesse ramal é um acontecimento quando um trem passa...

...e na altura de Mauá(Clique no nome e relembre a viagem de Doria para esta localidade) é como se passasse uma mulher bonita na frente da multidão: É de parar o trânsito.

A estação é praticamente ao lado da PN (Passagem de Nível), tanto que, enquanto o trem permanece parado, o trânsito fica obstruído pelos dois últimos vagões. Destaque para a kombi que opera transportes municipais em Magé, para o GranVia Midi da Trel com destino a Ipiranga(Esse o Doria já andou e não gostou muito!) e também para o Torino G7 da União, vindo logo atrás (Doria: "Quando eu fui prá Praia de Mauá não veio esse bendito!").

E depois de só ver mato, o bravo Diego avista sinal de civilização...

...a BR-116, cujo traçado acompanha os passos do passageiro do Ramal Guapi. E se no meio do caminho perguntarem qual a próxima estação, apenas cantarole...

..."É Santa Dalila! É Santa Dalila, menino..."Apesar de sua bela estrutura, não passa de uma parada para o trem. Não há dados de quando ela foi inaugurada.

E continuemos a contemplar a BR-116, a famosa RIO-TERESÓPOLIS, na parte do percurso onde a mesma é mais bem vista, até porque nesse trecho a ferrovia está em paralelo à pista sentido Teresópolis. E assim, deixamos Santa Dalila esperando Sansão para prosseguir viagem rumo a...

... estação SURUÍ, que foi inaugurada em 1926. E nos anos 1950, foi inaugurada pela Leopoldina Railway uma usina para a britagem e classificação de pedra para lastreamento de via.

Talvez seja por isso...


...que podemos ver esses trilhos e alguns vagões cargueiros da CBTU abandonados.


E assim, saímos de Suruí(em tupi-guarani significa "gente") pela porta da frente. Ou melhor dizendo, pelo Portão!

Na altura de Santa Guilhermina, temos essa boa vista de um dos vários rios que o trem atravessa durante a sua trajetória. Agora convenhamos, o que o trem atravessa BEM MAIS do que rios, sem sombra de dúvida é RUAS, muitas delas de chão, pelas inúmeras passagens de nível.


Foto 32A: Parada EMAQ, atualmente desativada. Se bem que antes ela somente funcionava se houvesse passageiros para embarcar.


As últimas vezes em que a BR-116 é vista com mais proximidade (note-se que estamos bem menos próximos da pista do que estávamos em Santa Dalila). Depois, a BR-116 somente é vista quando se aproxima da BR-493 (próximo do acesso a Magé) e depois no eixo Guapimirim (não sabendo eu dizer precisamente se a partir da Parada Ideal ou se de Parada Capim, mas aí, a BR-116 já é vista mais de longe.

Fica como que vista à distância de um quarteirão, no mais próximo). E a próxima estação é a Fábrica. O nome tem origem...

...na Fábrica da EMAQ INDUSTRIAL S/A, filial da EMAQ S/A (Engenharia e Máquinas S/A).

Uma fábrica de locomotivas que faliu em meados da década de 80, durante o tenebroso resultado financeiro do processo de eletrificação da FEPASA (Ferrovia Paulista S/A). Dentre os modelos por ela produzidos, o mais famoso, sem dúvida...

...foi o CAF MX-620, que a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica) teve aos montes (Foto extraída do Wikipédia).

Um pouquinho antes...

...temos esse viaduto da Extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) na BR-493

Há ainda uma parada/estação que atualmente está desativada.

Nada raro e muito menos obstante, o trem passa realmente MUITO PERTO de várias árvores e arbustos, que batem nas janelas (quase arranhei minha mão na quina), a ponto de quebrar alguns galhos e cair algumas folhas (e pequenos pedaços de galhos) dentro do vagão.

E a viagem prossegue! Pegue seu bilhete...

...e vamos em frente! Ainda tem muito o que ser visto, contado e relatado sobre o Ramal Guapimirim. A la Supervia, próxima Estação...

...MAGÉ e mais adiante. Abraço e até lá!

Texto: Diego Barbosa

Fotos: Diego Barbosa

Revisão: Luiz Antonio Doria

Fonte pesquisa: Estações Ferroviárias.com.br


5 comentários:

  1. S E N S A C I O N A L!!!

    Há tempos tenho vontade de fazer essa viagem e a de Inhomirim também, mas com os horários cada dia mais escassos, fica difícil!

    Mesmo com os horários afixados na estação de Caxias, já fui algumas vezes até Saracuruna mas fiquei na saudade, chegava lá atrasado e o trem já tinha partido...

    Mas não pensem que vou desistir, agora que deu mais vontade ainda, só preciso correr antes que o ramal acabe de vez,rs!

    Aliás, parece que foi isso o que aconteceu como ramal de Visc. de Itaborái. O atual SEC. ESt. de Transportes parece que desativou de vez o ramal e manteve apenas uma locomotiva percorrendo o trecho duas vezes por dia para evitar a completa invasão do leito, o que falta muito pouco.

    Parabéns pela postagem, vou aguardar a 2a. parte.
    Magé, Jororó, Nova Marília...

    Abraços,

    MJr.

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  2. Ahh, então foi por isso que detectamos um sinal de que alguém tinha passado recentemente por Visconde.

    O grande problema são os horários: Se a SECTRAN/CENTRAL comprasse mais composições para este ramal, quem sabe teríamos mais demanda.

    Se prepare mesmo, pois a viagem apenas começou.

    Abraço!

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  3. UMA OBSERVAÇÃO E UMA CORREÇÃO:

    1) OBSERVAÇÃO:

    O Portão da estação SURUÍ fica um pouqinho antes da estação, quase que em frente à casa da mesma.


    2) CORREÇÃO

    As fotos das últimas vezes em que a BR-116 é vista com mais proximidade, SÃO EXATAMENTE AS FOTOS DO TRECHO DA ALTURA DESTA EM QUE O TREM ESTÁ SE APROXIMANDO DO ACESSO À BR-493, POR ONDE EM SEGUNDOS, O TREM PASSA POR BAIXO DO VIADUTO RFFSA, LOCALIZADO NO INÍCIO DESTA ÚLTIMA.

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  4. Ok, ok...e quem disse que não erramos. Foi maus aê, aspira.

    Fica válida a correção e observação do nosso colaborador.

    Abraço

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  5. Como sou grande aficcionado por trens e afins, li com muita atenção estes relatos e pude descobrir muita coisa interessante no mlhor estilo 'Not as seen on tv' ou numa tradução livre "Nem tudo que a tv mostra é verdade". Muitos devem ter visto a anos atrás a repostagem do Fantástico sobre o ramal de Inhomerim, definido como 'Trem da vergonha'. Pois bem, a reportagem mostrava algo totalmente decrépto e violento, com pessoas usando drogas e os famosos 'pivetes' andando pelos vagões. O que evidentemente contribui e muito para a defasada imagem do sistema e da baixada fluminense. É inegavel o abandono, mas estes relatos mostraram coisas que os de fora e mesmo os cariocasa da zona sul desconhecem:
    É relativamente seguro andar nestes trem em horarios de movimento, não são TODOS os vagões e TODOS os passageiros que fumam maconha ou cheiram cola dentro do trem. Não são TODOS bandidos ou trombadões. È possivel embarcar com câmeras digitais e fotografar os vagões e passageiros sem ser assaltado e depois jogado para fora. Enfim, é um sistema como outro qualquer com pessoas de bem e gente ruim, como em todo o mundo.
    Nunca fui ao Rio (O que mais me impede é o maldito calor, e oportunidade não falta, tenho parentes em Magé e Silva Jardim)mas sei que apesar da violência, não existe um traficante em cada esquina, não tem tiroteios em cada quarteirão, nem todo PM carioca é corrupto.
    Estas linhas são como o mitico trem japonês aqui de São Paulo que opera a extensão da linha B (Que agora tem nome de pedra preciosa como as demais, mas nem me preocupo em saber isto). O trem tem mais de 50 anos de uso, passagem gratuita e diz se que é altamente recomendado para quem é de fora NUNCA andar sozinho nele. Há muito exagero nisto, claro que ninguém vai sozinho pegar ele as 23:00 de um domingo. Assim como nos ramais da Central no Rio é de bom tom ficar atento, como em qualquer outro meio de transporte.
    Abraços deste Gremista feio, pobre mas feliz.
    Talvez em Junho, quando uma massa de ar polar cobrir o pais e a temperatura no Rio ficar mais suportavel para um Paulista eu resolva ir visitar minha prima e de quebra andar de Supervia e Central.

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