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ROTEIRO NORTE - Além Paraíba, o Porto Novo do Cunha

Além Paraíba é minha conhecida de longa data. Quando ia para Salvador pela Amarelinha de Cachoeiro, passava pela cidade, mas sempre tive vontade de conhecer-la mais a fundo. E eis que chegou o dia.


A cidade parece ser mais uma daquelas cidadezinhas do interior, com seus casebres... mas ela tem mais que isso... muita coisa aconteceu e se sucedeu por aqui. Então, prepare-se para mais uma viagem com o RdV e conheça os Ranchos do Além Paraíba.

Os Ranchos do Além Paraíba

Subindo pela serra fluminense, o RdV desbravou e mostrou as cidades de Sumidouro e Carmo...E atravessando o Paraíba do Sul chegamos aos Ranchos do Além Paraíba.

Assim foi denominada inicialmente a cidade de Além Paraíba, uma cidade mineira cujas fronteiras se confundem com as fluminenses Sapucaia e Carmo. Até a segunda metade do século XVIII, a região era abandonada e praticamente ignorada pela corte portuguesa e habitada pelos índios Puris.

Apenas os tropeiros que vinham da corte rumo ao aldeamento da Pomba e ao Presídio São João Batista (Atual Visconde de Rio Branco) conheciam a área e ali armavam seus pousos. Daí a denominação inicial.

A Descoberta do Ouro

Com a descoberta de ouro em Cantagalo, o contrabando pelas águas do rio Paraíba e a fuga de "mão-de-luva" (Relembre a história de Cantagalo clicando aqui), o Governador da Província das Minas Gerais - Luiz da Cunha Menezes - toma uma drástica providência: Envia para os "ranchos" o Sgto. Mor Pedro Afonso Galvão de São Martinho com a incumbência de deter "Mão-de-Luva" e inibir o contrabando do precioso metal.

Em 1784, o nobre Sargento-Mor conclui a sua missão: Instala-se um "registro" (uma espécie de posto fiscal) com um cais de madeira para atracar balsas que cruzavam o Paraíba. A este registro, deu-se o nome de "Porto do Cunha".

O processo de povoamento nas redondezas se multiplica com o advento do ciclo do café e com a descoberta e desbravamento dos "Sertões do Leste". As picadas abertas no princípio viraram caminhos de tropas de burros e nestes caminhos se estabeleceu um trânsito regular de viajantes e animais vindos de Sapucaia e interior de Minas Gerais rumo a Estrada de Cantagalo.

Em 1812, iniciaram-se as doações de terras locais abandonadas. Em 1816, o Padre Miguel Antônio de Paiva torna-se donatário da gleba onde hoje se acha a cidade.

Porto do Cunha, Porto Novo do Cunha

Em 1819, é construída a primeira capela.

Ela foi erguida próxima a foz do Ribeirão do Limoeiro no Paraíba e sob a invocação de São José D'Além Paraíba.

Era o dia 05 de janeiro de 1819...este dia é considerada como a data de fundação da cidade. E a esta altura a travessia de barcas ganhava uma notável importância e outra denominação: PORTO DO CUNHA ou PORTO NOVO DO CUNHA.

A atual denominação foi criada justamente para evitar confusões com a outra passagem do rio, localizada a 20 km do Registro de Porto Novo do Cunha, que passou a se chamar PORTO VELHO DO CUNHA (hoje distrito do município de Carmo).

Em 1860, a produção de café no distrito alcançava a marca de 100.000 sacas. E assim...

...no ano de 1871 chegam os trilhos da E.F. Dom Pedro II. É inaugurada a Estação de Porto Novo do Cunha, que depois passa a se chamar apenas PORTO NOVO.

A Estação era o terminal do chamado Ramal do Porto Novo e era composto de dois prédios: um era o restaurante e hotel e o outro era o armazém e a estação propriamente dita. Depois de algum tempo, a E.F. Leopoldina veio a ter controle sobre esta por meio da Estação de Além Paraíba (inaugurada três anos depois da primeira), pertencente a Linha do Centro. Para fazer a junção dos dois ramais e da Linha Auxiliar, a Leopoldina reduziu a bitola do Ramal de Porto Novo.


Depois, tudo foi para as mãos da R.F.F.S.A (Rede Ferroviária Federal). Ambas já não ouvem o apito de trens, mas a estação de Porto Novo é a que mais sofreu com o abandono: Um dos mais belos prédios do patrimônio ferroviário brasileiro (e olha que em Minas temos outras estações belíssimas... como exemplo, cito a Estação de Chiador) servindo como pátio para armazenamento de vagões.

A presença de duas Companhias Ferroviárias no distrito trouxe para a região muito desenvolvimento e um desenrolar de acontecimentos que despertou a atenção de Dom Pedro II para as terras que eram abandonadas láááááááá no início do século XVIII.

A Emancipação e as divisões de São José de D'Além Paraíba


Até abril de 1854, a região que hoje é Além Paraíba era parte integrante do município de Mar de Hespanha. Após este período, Porto Novo do Cunha é desmembrada de "Mar" e passa a pertencer a Leopoldina com um novo nome: "São José do Além Parahyba". Mas, dez anos depois, em 1864 ela retorna a Mar de Hespanha.


Praça Coronel Breves, uma homenagem ao primeiro prefeito da cidade: Coronel Joaquim Luiz de Souza Breves.

Em 1880, a Vila de São José do Além Parahyba adquire a sua emancipação (mas o seu desligamento de Mar de Hespanha ocorre em 1883). A primeira divisão administrativa do município se deu desta maneira: Distritos de São José (sede), Santana do Pirapetinga e Madre de Deus do Angu (Atual Angustura).

Monumento em homenagem aos Pracinhas que lutaram na Segunda Guerra Mundial, Praça Cel. Breves, São José (Centro).

Dez anos depois, uma nova divisão administrativa: São José do Além Parahyba é composta pelos distritos de Volta Grande, Água Limpa (atual Água Viva), Estrela D'alva, Angustura, Santana do Pirapetinga, São José e São Sebastião da Estrela.

Praça Presidente Vargas, São José (Centro de Além Paraíba)

Em 1924, uma nova mudança no nome: São José do Além Parahyba passa a "assinar" ALÉM PARAÍBA.

Um resquício do passado glorioso das ferrovias em Além Paraíba: Na Praça Valeriano Pereira Otero, um vagão da extinta RFFSA.

No ano de 1938, três distritos são desmembrados : Pirapetinga (Elevado a categoria de município), Estrela D'alva e Volta Grande (que, juntos com os distritos de Água Viva e São Luiz, constítuiram o município de Volta Grande). Neste mesmo ano é anexado a Além Paraíba o distrito de Aventureiro, desmembrado de Mar de Espanha.

E enfim no ano de 1962, Aventureiro é desmembrado da cidade e torna-se o município de Sto. Antonio do Aventureiro. No final das contas, Além Paraíba fica apenas com São José, Angustura e São Sebastião da Estrela.

A Dica do Viajante

A minha dica de hospedagem é o Hotel Renavi. Com preços convidativos, o visitante pode desfrutar da estrutura humilde, mas aconhchegante do mesmo.

Como chegar



Praça da Bandeira


Vindo do Rio de Janeiro:
Pela Rodovia Washington Luiz, deve-se ir até o acesso a Rio - Teresópolis, seguindo por esta até o distrito de Jamapará, em Sapucaia.

Cruzando o Paraíba do Sul, você já está em Além Paraíba!

Vindo de São Paulo: É seguir pela Via Dutra até o acesso a BR-393 (Lúcio Meira) em Barra Mansa. E deste ponto em diante, é Lúcio Meira direto passando pelo Centro-Sul Fluminense todo: de Barra Mansa à Jamapará. Em Jamapará, mesmo caminho de quem vem do Rio cruzando a ponte sob o rio Paraíba do Sul e voilá: Além Paraíba!!

Linhas de Ônibus

São Paulo x Além Paraíba (Itapemirim)

Viação Progresso

Juiz de Fora x Além Paraíba
Leopoldina x Além Paraíba
Muriaé x Além Paraíba

Volta Grande x Além Paraíba
Pirapetinga x Além Paraíba
Estrela Dalva x Além Paraíba
Santo Antonio de Pádua x Além Paraíba
Miracema x Além Paraíba

Três Rios x Além Paraíba
Petrópolis x Além Paraíba
Barra Mansa x Além Paraíba
Resende x Além Paraíba

Viação Riodoce

Coronel Fabriciano x Além Paraíba
Carangola x Além Paraíba

Caratinga x Além Paraíba

Cataguases x Além Paraíba

Espera Feliz x Além Paraíba

Governador Valadares x Além Paraíba

Ipanema x Além Paraíba

Ipatinga x Além Paraíba

Lajinha x Além Paraíba

Manhuaçu x Além Paraíba

Manhumirim x Além Paraíba

Realeza x Além Paraíba

Rio de Janeiro x Além Paraíba
São Fidélis x Além Paraíba

Itaperuna x Além Paraíba (Auto Viação 1001)
Nova Friburgo x Além Paraíba (Natividade)
Teresópolis x Além Paraíba (Viaçao Teresópolis)

A Transportes Além Paraíba opera o transporte municipal na cidade: Confira aqui alguns exemplares da sua variada (e inusitada) frota.

Abraço e tudo de bom!! Obrigado pela sua visita.

Texto e fotos: Luiz Antonio Doria

Fonte Pesquisa: Portal Além Paraíba e Museu de História e Ciências Naturais

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